MOTIVAÇÕES PELA ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA - TRABALHO DE ALUNOS DE GRADUAÇÃO DO CURSO DE NUTRIÇÃO DA UFJF-MINAS GERAIS-BRASIL


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Motivações pela Alimentação Vegetariana

Universidade Federal de Juiz de Fora
ICB – Departamento de Nutrição


Ana Carolina de Souza
Ana Paula Araujo
Daniele Alvarenga
Lara Freitas
Marilana Zamagno





Trabalho referente a disciplina de Introdução
à Nutrição do 1º período do Curso de
Nutrição da Universidade Federal de
Juiz de Fora.
Orientado pelo professor
Renato Nunes
Realizado pelos alunos
Ana Carolina de Souza
Ana Paula Araujo
Daniele Alvarenga
Lara Freitas
Marilana Zamagno 
  

                                                   
Juiz de Fora
2010


Resumo
Tendo como objetivos buscar informações sobre a origem da alimentação vegetariana, as motivações que levam as pessoas a aderirem essa prática e os prós e contras, realizou-se um estudo bibliográfico para fins de maiores compreensões sobre o assunto. O estudo foi realizado com base em artigos científicos, monografias e teses pesquisadas na internet a partir da data de 27 de setembro de 2010 a 22 de outubro de 2010. Embora diversos fatores apontem para uma alternativa saudável a dieta vegetariana, alguns pontos ainda são controversos. O vegetarianismo pode ser visto como uma filosofia ou como uma restrição alimentar visando uma maior qualidade de vida.
Palavras- chave: Vegetariano; alimentação; origem; motivação

Introdução


Atualmente as pessoas vêm aderindo a dieta vegetariana. Inúmeros motivos influenciam essa decisão. Como por exemplo, motivação religiosa, anatômica e fisiológica, espiritual, ética, saúde, ecológica e econômica.
A dieta vegetariana difere da dieta onívora em vários aspectos. Na dieta vegetariana encontramos subdivisões Veganismo, Lacto-vegetariana, Ovo-lacto-vegetariana, Ovo-vegetariana, Crudívora, Frugívera.
O objetivo do trabalho é reunir informações sobre a dieta vegetariana e assim chegarmos a uma conclusão sobre os benefícios e malefícios nutricionais sobre essa dieta.

Métodos


Para realizar esse artigo, nós procuramos em sites reconhecidos artigos que se relacionassem a alimentação vegetariana e qualidade dos nutrientes contidos em certos alimentos, como carne e vegetais.
A pesquisa pela internet foi feita entre o período de 27 de setembro até o dia 22 de outubro.
Depois de feito o levantamento bibliográfico, os artigos obtidos foram submetidos a leitura, com a finalidade de realizar uma análise interpretativa direcionada pelos objetivos estabelecidos previamente e, assim, os conteúdos encontrados foram agrupados em seus aspectos históricos e conceituais.
Uma outra maneira de pesquisa foi a obtenção de depoimentos de pessoas que de algum modo se relacionam com a prática vegetariana.

História do Vegetarianismo


Na Roma Antiga e na Grécia, o vegetarianismo foi defendido por Pitágoras que é considerado como o pai do vegetarianismo, para ele os homens e os animais compartilhavam a mesma alma, e seu argumento era baseado em uma dieta sem carne, que tinha três pontas: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica.
 Além de Pitágoras grandes filósofos defendiam o vegetarianismo, como Aristóteles.
Alguns historiadores dizem que o primeiro a praticar essa dieta foi o matemático e filósofo grego Pitágoras, em sua permanência no Egito. Para ele comer carne “interferia no alcance da pura contemplação”.
No fim do século XIX eram denominados pitágorianos, aqueles que evitavam carne, em honra a Pitágoras. Após a fundação da Sociedade Vegetariana Britânica que o termo foi criado.
Vegetarianismo moderno 
Ecologia, saúde e preocupação com os animais foram uns dos argumentos responsáveis pela retomada do vegetarianismo, ocorridos na década de 70. A ecologia refere-se à  quantidade de pastagem de gado e que deveriam ser aproveitados para o plantio. A saúde é almejada através de uma alimentação saudável, procurando se basear na ciência. Muitas pessoas aderem ao vegetarianismo, por uma questão ética, com a preocupação com a fome mundial, em conservar energia e em preservar a terra.

Motivação pela alimentação Vegetariana


Muitas religiões adotam a dieta vegetariana com o propósito de almejarem a ascensão espiritual e o respeito pela vida dos animais. Segundo alguns mestres antigos, a carne transfere energias densas e inferiores para aqueles que a consomem.
Um grande número de pessoas se tornam vegetarianas por razões éticas, em resposta a um forte sentimento de que os animais não devem ser maltratados em fazendas industriais, ou que simplesmente não deveriam ser mortos para se tornar alimento. No entanto, muitas pessoas que evitam a carne por preocupação com os interesses dos animais continuam a consumir e usar outros produtos animais. A produção de leites e ovos envolve aspectos industriais e químicos, transformando o processo de desenvolvimento e reprodução destes animais de forma incompatível com a lógica natural. Observando essas características, alguns vegetarianos tornam-se veganos. Tendo essa escolha como algo que vai além da dieta alimentar, eliminando uma contribuição para o paradigma do uso do animal.
Alimentação Kosher
Os judeus seguem proibições de consumo de determinadas carnes feitas por Moisés que foram reveladas por Deus no Monte Sinai. De acordo com Moisés as carnes de animais “impuros” devem ser evitados. Philo, um filósofo judeu do século I, dizia que Deus proibiu a carne de porco e mariscos porque essas eram as carnes mais saborosas, assim restringira os desejos e prazeres do corpo.

Cristianismo

O cristianismo possui influências dos judeus, aderindo aos jejuns como purificação do corpo e do espírito. Os vegetarianos acreditam que Jesus era contra o consumo de carnes de animais como fonte de alimentação e são vários os santos e religiosos da comunidade primitiva que foram abstêmios de carne. O escritor, teólogo e moralista Tertuliano (155-255) e Clemente de Alexandria (150-215), pensador e responsável pela escola catequética de Alexandria e São João Crisóstomo (437-407), ensinaram os seus discípulos que evitando a carne, aumentariam a disciplina e a força para resistir às tentações.
As carmelitas membros de uma ordem de freiras constituídas de austeras regras, fundada em 1452, eram adeptos da dieta Vegetariana. Outros líderes do Cristianismo como São Francisco de Assis, Santa Clara e o patriarca do País de Gales, São David, não comiam carne pois motivavam a auto-disciplina, mas a carne de peixe não era proibida.

Islamismo

O islamismo, por exemplo, não adota a dieta vegetariana e nem a considera como necessidade religiosa, mas o alcorão, o livro sagrado da religião, recomenda não comer carnes de animais mortos. Maomé pregava a gentileza com os animais e um profeta que o sucedeu, aconselhava os seus discípulos: “Não transformem seus estômagos em sepulturas de animais”.

 Hinduismo

A vaca é considerada como um animal sagrado, pelos hinduístas que possuem princípios vegetarianos. Nas escrituras védicas, o alimento é dividido em três categorias: tamas, rajas e satva. Cada categoria possuía características que vão gerar sutileza ao corpo, as emoções e os pensamentos.
Os alimentos tamas, têm, odores e sabores forte, são secos e muito condimentados como salames, embutidos, salsichas, vísceras animais, camarões, mariscos, carnes vermelhas, que bloqueiam a percepção espiritual, intoxicam o corpo e dificultam a percepção da sutileza das coisas.
Os alimentos satvas são: cevada, centeio, trigo sarraceno, milho, leite fresco, frutas suaves, mel néctares, que favorecem a sensibilidade espiritual, purificam o corpo e suavizam a mente.
 Os rajas são os temperos naturais como: a pimenta, o alho, a cebola o gengibre, o café e bebidas alcoólicas. Esses alimentos favorecem o trabalho da mente.
Vários grupos hinduístas seguem uma alimentação baseada nas leis de Deus, que deve ser composto por produtos leves, nutritivos, saudáveis orgânicos e ricos em energia, podendo ser plantados. Que caracterizam pela harmonia, regularidade e está voltada para o bem-estar.

Anatômica e fisiológica

A dieta frugívora e herbívora é a mais adequada ao homem, comparando com as características fisiológicas e anatômicas dos animais.
De acordo com as características anatômicas e fisiológicas dos animais herbívoros, carnívoros e frugívoros, percebe-se que estes são os que mais se assemelham ao homem. Pois os homens não possuem dentes caninos frontais pontiagudos, não possuem garras e transpiram por meio de milhares de poros. A acidez de seu estômago é de 20 vezes menos concentrado do que nos carnívoros o estômago possui  duodeno como um segundo estômago, as glândulas salivares, são bem desenvolvidas e a saliva é alcalina, a mandíbula é curta, e ele deveria se alimentar de cereais, vegetais, frutas e nozes, possuem profusão de ptialina para pré digerir cereais.
Os carnívoros possuem o intestino com aproximadamente  três vezes o comprimento do corpo, fazendo com que a digestão ocorra mais rapidamente eliminando tudo o que não for absorvido.

 Espiritual

 Alimentar-se, visa à busca pela essência de uma alma pura, pela espiritualidade, e obtenção de saúde física estando diretamente ligado à consciência. E certo que o corpo em estado equilibrado favorece o desenvolvimento mental e espiritual, mas isto não quer dizer, que uma alimentação natural não torna alguém mais espiritual.
O modo de preparo dos alimentos não influência apenas na harmonização com as leis universais, mas também na energia do próprio individuo, os adeptos por uma dieta vegetariana, ou até  mesmo os adeptos de outras dietas.
Estes mecanismos interagem em nível energético, levantando a questão da validade de alguns “benefícios” para a evolução espiritual. Para  o consumo dos alimentos e a combinação dos mesmos a nível nutricional seria essencial o conhecimento da procedência.
Os evolucionários e os espiritualistas acreditam que os animais possuem alma e manifestam medo, irritação, simpatia, amor e inteligência. E considerado um crime para a natureza, e uma crueldade e egoísmo o ato de matar um animal, para satisfazer a fome, incentivando desta forma um crime do homem para o próprio homem.
O corpo astral do homem se torna grosseiro, compulsivo em atitudes violentas, propenso a vícios, transmitindo por vibrações malignas quando os animais percebem o momento de sua morte, sofrendo com as sensações de medo, revolta, raiva, além das dores causadas pelo próprio ato de violência.
Segundo Mary Winckler: “Do ponto de vista do aperfeiçoamento do corpo humano com vistas a realização espiritual, verdadeira finalidade de nossa existência, a carne é totalmente rejeitada, seja porque não é um alimento de propriedades intrínsecas que favoreça a harmonia, o equilíbrio o ritmo e a perseverança que o espírito requer e busca, seja porque a compaixão, qualidade inerente ao florescer espiritual, também a exclui. Por tudo isto, ou simplesmente pelo motivo mais pessoal, porém também legítimo, de ter-se uma existência mais saudável e duradoura, a carne é invariavelmente desaconselhada”.
 Budismo
O vegetarianismo vem sendo praticados pelos budistas por 2500 anos. Eles pregam o respeito aos animais. Segundo Buda: “feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só ingerissem alimentos  que não implicam derramamento de sangue. Os dourados grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas que nascem para todos bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo”.
A igreja Adventista do Sétimo Dia
Os Adventistas  do Sétimo Dia consomem apenas animais ruminantes e peixes, que são considerados puros e próprios para a alimentação, os demais são tidos como impuros e impróprios para o homem .
Ética
Para  Ferreira, ética se refere ao “estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal”
Para os vegetarianos, os animais por serem criados em espaços reduzidos, superlotados, confinados, passando fome e sede, expostos a doenças em decorrência da falta de higiene de cuidado do local, não consomem carne. Sendo para eles, o consumo de carne totalmente antiético. Formas de abate que muitas vezes ainda primitiva e violenta, levando os animais ao sofrimento, depenando-os ainda vivos, queimando-os e esquartejando-os.
Outro fator que esta ligada a essa questão animal, trata-se de uns fatores econômicos, ecológicos e de direitos humanos, que está relacionado com a quantidade de extensão de terras utilizadas para a pastagem do animal. Podendo ela ser utilizada para a lavoura, aumentando a produção de alimentos saudáveis e assim colaborando com a diminuição da fome dos indivíduos.
Todos os nutrientes necessários para a sobrevivência são encontrados nos alimentos oriundos da terra, partindo dessa observação, conclui-se antiético o consumo de carne.
Saúde  
Apesar da dieta vegetariana não ser aceita pela academia científica, por ainda estar  em processo de estudos, muitos vegetarianos aceita o desafio de conciliar seus princípios filosóficos com  a validade da dieta no meio cientifico. Estudos estão sendo conduzidos a respeito da dieta vegetariana, mas a muito a ser pesquisado sobre o assunto, uma vez que ela afeta diretamente o metabolismo; o sistema imunológico, a saúde mental espiritual do individuo.
Devido à busca das pessoas por mais saúde  através da alimentação, a dieta vegetariana vem ganhando espaço ao longo do tempo, mesmo encontrando dificuldade de aceitabilidade. Vale ressaltar que é de suma importância que as dietas propostas pelo homem sejam seguidas, sendo ou não vegetariano.
Na dieta vegetariana deve-se acrescentar os alimentos funcionais e orgânicos reduzir o sal levando em consideração o gênero, a idade, o peso e a altura. A dieta deve ser balanceada procurando equilibrar os alimentos em todas as refeições, contendo uma variedade de cores, visando atender as necessidades nutricionais dos indivíduos e administrando as carências de vitamina B12, ferro, proteínas, gorduras, colesterol, aminoácidos essenciais e fibras, que de fato existem em adotar a dieta vegetariana e principalmente na gravidez, lactação, e período de crescimento.
Atualmente existem profissionais que orientam os interessados pela dieta vegetariana  e realizam estudos sobre os benefícios da adesão da dieta. Diversas doenças como obesidade, artrite, reumatóide, osteoporose, câncer, diabetes, está relacionados com alimentos de origem vegetal e a resistência dos adeptos por essa alimentação vegetariana.
 A dieta  vegetariana indica taxas menores de diabetes, câncer de cólon e de mama, doenças cardiovasculares e da vesícula biliar. Porém os dados não são suficientes para provar que a dieta onívora não é igualmente benéfica.
Soja e outros grãos integrais estão sendo substituídos, das proteínas animais pelas vegetais, vem sendo correlacionada com redução no risco de coronariopatias, implicando diminuição natural no consumo de gorduras saturadas. Dentre as proteínas vegetais, a da soja vem sendo a mais estudada e alguns resultados apontam seu efeito redutor do colesterol, especialmente em indivíduos hipercolesterolêmicos.
 Ecologia
A dieta vegetariana é a opção mais adequada para os ecologistas e para os vegetarianos um dos fatores  que  merecem extrema atenção é a ecologia. Esta preocupação não é só de amar e preservar a natureza, mas se tem uma grande atenção em eliminar problemas que dificultem o equilíbrio do ecossistema.
O alimento é de extrema importância, todos dependem dele e só é alcançada sua qualidade se todos trabalharem juntos, corretamente e equilibradamente  .
O desenvolvimento sustentável é uma alternativa que aproveita recursos naturais, de maneira que não agrida o meio ambiente, e que haja resultados favoráveis para a economia e a preservação do ecossistema. A preocupação com a qualidade dos alimentos está relacionada com outros fatores, os ecologistas e vegetarianos se dedicam pesquisando e  orientando a população com relação a  agricultura, agropecuária, genética, efeito estufa, água e combate a fome, através da preservação de espécies, a defesa da exclusão da carne animal na alimentação através da utilização correta das áreas de plantio devido ao grande impacto ambiental causado pela agropecuária
Econômica 
Dados do IBGE dizem que um boi precisa em média 4 hectares de terras para produzir 210 kg de carne entre 4 e 5 anos. No Brasil essa mesma quantidade de terra serve para produzir muitas toneladas de alimentos, através da agricultura.
Neste volume de hectares ao criar-se bois na média de 4,5 anos, tem-se 39  quilos de proteínas, nessa mesma área e neste, mesmo tempo, se plantarmos arroz é obtido 1520 quilos. Isso mostra ser mais vantajoso do ponto de vista econômico, conseguir proteínas do reino vegetal do que animal.
Além disso, o gado produz menos alimentos e consome grande quantidade de cereal e pastos, sendo grande parte do milho produzido no Brasil destinado ao gado.

Depoimentos de Vegetarianos


“Deixei de comer carnes vermelhas e de aves. Mais tarde um cardiologista me convenceu a voltar a comer frango (só peito porque não tem gordura), isto porque na ocasião ele me fez uma dieta tão restritiva que eu não podia comer quase nada e fui para 41 quilos. Tempos depois deixei de comer aves de novo. Hoje só como (em casa) peixe e soja e me sinto bem assim. Se vou a uma festa ou à casa de alguém, se não tiver outro jeito, como frango ou salgadinhos de frango. Nunca tive problemas com esta alimentação com proteína de peixe e soja. Há uns três meses fiz um exame para medir as proteínas e estavam normais. Deixei de comer carne simplesmente por compaixão aos animais, mas nunca me propus a deixar de comer peixe porque não sou perfeita.” (MRZ)

A senhora VDZ é vegetariana há 12 anos, eliminando da sua alimentação carnes vermelhas. Ela aderiu a esse hábito quando quis se tornar professora de ioga, e para isso, teria que seguir essa regra: tornar-se vegetariana. VDZ diz que se sente mais “leve”, que seu funcionamento fisiológico e imunológico melhorou. Ao buscar um médico verificou que não havia problemas com proteínas e vitaminas visto que faz uso de suplemento nutricional como à vitamina B12 e sulfato ferroso. Inclusive fez uso destes suplementos quando esteve grávida com 2 anos de alimentação vegetariana, não refletindo negativamente em seu filho.
“Não acho que seja cristã a atitude de se matar animais para comer. Nem é coerente da minha parte gostar de animais e comê-los. Sempre achei comer animais errado, porém nunca parei para pensar no assunto, pois sabia que quando isso acontecesse não mais poderia continuar, e assim foi.
Minha vida alimentar mudou completamente. Não foi simplesmente decidir ser vegetariana e pronto,não como mais carne. Informei-me primeiro sobre como repor as necessidades de ferro e de proteína. Todos dizem que não comer carne faz mal à saúde, como se isso fosse um mal necessário. Mas imagine se não filtrássemos todas as informações que recebemos diariamente! Nem tudo que ouvimos é certo. Precisamos pesquisar o fundamento das coisas. Não conheço nenhum vegetariano que tenha morrido ou adoecido por isso, diferentemente dos carnívoros. Por sermos bombardeados com informações equivocadas, procurei saber o que comer antes de tomar essa decisão.” (MP)

Pontos positivos


Recentemente houve vários estudos com vegetarianos mostrando o número considerável de benefícios comparados a um grupo controle de não vegetarianos. Foi comprovada a menor ocorrência de doenças cardiovasculares em vegetarianos em relação a indivíduos onívoros. Estudos demonstram que os vegetarianos apresentam pressão arterial mais baixa (entre 5 mmHg e 10 mmHg) que os onívoros  e menor prevalência de hipertensão arterial, mesmo quando o índice de massa corporal é similar. A mortalidade por doença isquêmica do coração foi 24% mais baixa entre os VEGs, comparativamente aos ONIs, sendo ainda mais baixa entre os ovolactovegetarianos. O menor risco cardiovascular entre VEGs poderia ser explicado, em parte, pela ocorrência de níveis mais baixos de colesterol nesses indivíduos.
Em um estudo brasileiro realizado com vegetarianos e onívoros para comparar as diferenças nos níveis de colesterol, concluiu-se que os níveis de Colesterol total, Colesterol LDL e Triglicérides foram menores em indivíduos vegetarianos. Já em relação à taxa de HDL, os números foram basicamente os mesmos, porém a proporção entre HDL e Colesterol total foi maior entre os indivíduos onde a carne não está incluída na alimentação.
A dieta vegetariana contém uma proporção maior de cereais integrais, legumes e sementes que possuem um grande número de fitoquímicos e antioxidantes que reduzem o risco de hipertensão e câncer.
The Oxford Vegetarian Study com 3.277 adultos relatou um índice 10% menor de colesterol e uma taxa 25% menor de morte por doenças isquêmicas do coração entre os vegetarianos em relação a onívoros. A taxa de mortalidade por alguns tipos de câncer em vegetarianos também foi reduzida.
 Além de um índice menor de ocorrência de constipação (prisão de ventre), cálculos biliares e apendicite.
O risco elevado de câncer em populações onívoras, em comparação a vegetarianos pode ser explicado por um maior consumo de gordura saturada e um maior valor calórico ingerido.

Pontos Negativos


Os resultados obtidos com pesquisas realizadas chegaram à conclusão que vegetarianos não ingerem a quantidade adequada de vitamina B12. Essa vitamina é muito encontrada em alimentos de origem animal. Mas para a obtenção desse nutriente é necessário uma ingestão regular o que na maioria dos casos não ocorre. A deficiência de vitamina B12 leva a transtornos hematológicos, como a anemia megaloblástica, psiquiátricos, gastrintestinais, neurológicos, cardiovasculares, principalmente, por interferir no metabolismo da homocisteína e nas reações de metilação do organismo. Muitas vezes a deficiência pode permanecer assintomática por longos períodos, desencadeando uma deficiência crônica que, se mantida, pode levar a manifestações neurológicas irreversíveis.
Anemia megaloblástica
A anemia megaloblástica pode ser definida como um grupo de doenças caracterizado por alterações neurológicas, anemia macrocítica, e anomalias morfológicas distintas das células hematopoiéticas da medula óssea associadas à inibição da síntese de ADN. O tratamento com reposição de vitamina B12 é bastante eficiente, porém se a doença for tardiamente diagnosticada, em alguns casos podem permanecer sequelas neurológicas.
Foi observada anemia megaloblástica grave num lactente do gênero feminino, de 2 meses e 3 semanas de idade, exclusivamente alimentado com leite materno desde o nascimento, por uma mãe vegetariana estrita há 13 anos. O lactente apresentava um quadro clínico de recusa alimentar, má evolução ponderal, vômitos, hipotonia e palidez com evolução de 2 semanas. O estudo laboratorial efetuado revelou anemia grave arregenerativa com trobocitopenia e neurotropenia grave. Após 48 horas do início de um tratamento com introdução de vitamina B12 verificou-se melhoria clínica com recuperação do apetite e da vitalidade e após 6 dias o hemograma mostrava recuperação hematológica. A recuperação do peso e do perímetro cefálico foi gradual, com normalização aos 9 meses apresentando um desenvolvimento estrutural ponderal e psicomotor adequados para a idade e tendo os parâmetros hematológicos estabilizados dentro de valores normais.
 Ferro
O ferro é um mineral presente na dieta sob a forma de ferro heme (hemoglobina e mioglobina), encontrado em carnes e derivados, e ferro não heme, contido nos vegetais e também nas carnes. Existem diferenças importantes entre essas duas formas do mineral. O ferro heme é melhor absorvido que o ferro não heme, por ser aproveitado pelo intestino como um complexo porfirínico intacto, cuja eficiência pode chegar a 25% comparada a 5% da absorção do ferro não heme9. A absorção intestinal do ferro heme é muito pouco afetada pela composição da dieta e pelas secreções gastrointestinais. Já o ferro não heme precisa estar sob a forma solúvel, no duodeno e jejuno superior para ser absorvido. Algumas substâncias como ácido ascórbico, alguns açúcares como sorbitol e frutose e aminoácidos contendo enxofre melhoram a absorção desse tipo de ferro. A carne bovina apresenta uma maior porcentagem de ferro dialisável, pelo fato deste alimento conter em sua estrutura o ferro na forma heme e aminoácidos que propiciam sua absorção. O feijão cozido acrescido de ácido ascórbico e cistina, se iguala à carne, mostrando efeito aditivo quando há presença dessas duas substancias. Porém, somente o ácido ascórbico não é suficiente para promover a disponibilidade do ferro do feijão no mesmo nível do que a da carne e somente a cistina não apresenta efeito de melhora na absorção do ferro não-heme do feijão a nível semelhante ao encontrado na carne.
Pelo seu melhor aproveitamento, o ferro heme é fundamental para combater e prevenir a anemia ferropriva, que acomete cerca de 25% da população mundial, comum em crianças, gestantes sem acompanhamento adequado de pré-natal e mulheres em idade fértil. Como em todas as carnes, na carne suína estima-se que 40% do conteúdo total de ferro está sob a forma heme, cuja absorção é mais eficiente. Além disso, alguns cortes suínos apresentam maior quantidade total de ferro em relação a aves e peixes.

Considerações finais


Com a nossa pesquisa percebemos que há vários motivos para a adesão do hábito vegetariano. Várias pessoas adéquam as restrições ao consumo de carne de uma forma que seja conveniente ao seu estilo de vida, isso inclui motivações religiosas filosóficas, éticas, culturais, ecológicas e econômicas. Também observamos que há diferentes subdivisões de vegetarianismo.
Foi indagado se a dieta vegetariana era realmente uma opção saudável, porém essa questão não é conclusiva visto que encontramos pontos positivos e negativos nesse aspecto. As vantagens incluem a diminuição do risco de doenças cardiovasculares e um maior consumo de nutrientes estabelecidos pelas DRIs. Em contrapartida observamos uma maior deficiência de vitamina B12 e proteínas acarretando em doenças a longo prazo, necessitando de uma suplementação nutricional desses nutrientes.
Por essa razão se nos for perguntado se a dieta vegetariana é uma opção saudável, responderemos que em comparação a uma dieta desequilibrada do ponto de vista nutricional, em que a maioria das pessoas é adepta, sim, é uma opção mais saudável. Porém ao compararmos a uma dieta correta e equilibrada, a alimentação vegetariana não é uma melhor opção.



Referência Bibliográfica

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2. TEIXEIRA, Rita de Cássia Moreira de Almeida et al . Risco cardiovascular em vegetarianos e onívoros: um estudo comparativo. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo,  v. 89,  n. 4, Oct.  2007.  
3. http://avp.eco-gaia.net/node/45  acessado em 07-10-2010
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11. Revista: sociedade portuguesa de medicina interna/ pesquisado do dia 07/10/2010 http://www.spmi.pt/revista.asp?id=22&l=pt
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14. Rev Bras Med Esporte vol.8 no.6 Niterói Nov./Dec. 2002/ Ana Beatriz Ribeiro Rique; Eliane de Abreu Soares., Claudia de Mello Meirelle

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17.MACHADO, Flávia Maria Vasques Farinazzi. Disponibilidade de ferro em ovo, cenoura e couve e em suas misturas. Piracicaba. SP. Agosto-2005.
18.PEDRO, Nelson. Dieta vegetariana – factos e contradições; Medicina Interna VOL.17 | Nº 3 | JUL/SET 2010
19.Medeiros, Sérgio Raposo de.Valor nutricional da carne bovina e suas implicações para a saúde humana / Campo Grande, MS : Embrapa Gado de Corte, 2008.
20.  Christiano Vieira PIRES2, Maria Goreti de Almeida OLIVEIRA3, José César ROSA4, Neuza Maria Brunoro COSTA5 . Qualidade Nutricional e Escore Químico de Aminoácidos de Diferentes Fontes Protéicas 2006 Campinas





FONTE?

Fonte: SIQUEIRA, Egle Machado de Almeida. MENDES, Juliana Frossard Ribeiro. ARRUDA, Sandra Fernandes. Biodisponibilidade de minerais em refeições vegetarianas e onívoras servidas em restaurante universitário. Rev. Nutr., Campinas, 20 (3): 229-237, Maio/ Junho., 2007
Fonte: COUCEIRO, P., SLYWITCH, E., LENZ, F., Padrão Alimentar da dieta Vegetariana einstein. 2008. 6(3):365-73




SUMÁRIO
Referência Bibliográfica ……………………………………………………………………12


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